“É a primeira vez que a 3ª Delegacia Regional de Polícia de Campo Largo”
Matéria: CAROLINE PAULART/ FOLHA DE CAMPO LARGO
Pela primeira vez, Campo Largo conta com três delegados atuando simultaneamente na Delegacia da Polícia Civil. Desde o início de 2026, a chegada da Dra. Gessica Andrade, do Dr. Luís Eduardo Trajano e do Dr. Leandro Marques Hoffmann marca uma nova fase na organização dos trabalhos investigativos no município, com divisão estratégica de áreas, reforço nas operações e avanços em casos recentes de grande repercussão.
A reportagem da Folha de Campo Largo conversou com os três delegados na sede da delegacia para entender como tem sido esse início de atuação conjunta, os desafios enfrentados e as prioridades para a segurança pública local. “Três delegados é o ideal para uma comarca do tamanho de Campo Largo, considerando o volume de ocorrências. Conseguimos dividir bem as atribuições para que nenhum setor fique desassistido”, explica a dra. Gessica Andrade.
Com a nova configuração, cada delegado passou a atuar em frentes específicas. A Dra. Gessica ficou responsável por homicídios, tráfico de drogas e organizações criminosas; o Dr. Luís Eduardo assumiu os casos envolvendo o Cartório de Vulneráveis, o que inclui casos como violência doméstica e crimes sexuais. Já o Dr. Leandro ficou responsável pelos crimes patrimoniais e demais delitos. “O maior volume acaba sendo tanto da área de crimes patrimoniais como na área de vulneráveis”, afirma o Dr. Luís Eduardo.
O Dr. Leandro complementa que a vinda de três delegados não está relacionada ao aumento da criminalidade, mas ao fortalecimento institucional da Polícia Civil. “Isso não é uma resposta ao crescimento de crimes. Pelo contrário, Campo Largo apresenta bons índices de segurança. A vinda de mais delegados acompanha um movimento de valorização e investimento na Polícia Civil do Paraná e também o crescimento populacional da cidade”, pontua.
Integração e tecnologia como aliadas
Um dos pontos destacados pelos delegados é a integração com outras forças de segurança, especialmente a Guarda Municipal de Campo Largo e a Polícia Militar, além do uso de tecnologia no apoio às investigações. “As investigações começam, muitas vezes, com o apoio da Guarda Municipal e o acesso ao sistema de monitoramento, via Ciosp. As câmeras ajudam a mapear movimentações e dão agilidade às apurações, especialmente em casos de homicídio”, explica a Dra.Gessica.
O Dr. Leandro ressalta que, além da tecnologia, o fator humano tem sido determinante. “A integração é muito fácil. O pessoal é solícito e isso faz diferença no andamento das investigações”, afirma. Já o Dr. Luís compara com a realidade anterior em que atuava. “Em cidades menores, muitas vezes não há câmeras ou elas não funcionam. Aqui, esse suporte é um diferencial enorme para praticamente todos os procedimentos que conduzimos”, diz.
Entre as ações recentes, os delegados destacam a participação no programa Cidade Segura, que resultou em operações intensivas e reflexos imediatos na redução de ocorrências. “Após uma grande operação realizada no dia 10 de abril, observamos uma redução expressiva nos boletins de ocorrência logo na sequência. Foi um fim de semana mais tranquilo, com menos registros de furtos e casos de violência doméstica”, relata a dra. Gessica.
Além das prisões, o Dr. Luís enfatiza o cumprimento de mandados de busca e apreensão como parte essencial do trabalho. “Nem sempre esse trabalho aparece, mas ele é constante. Serve tanto para repressão quanto para prevenção, porque mostra a presença da polícia e desestimula novos crimes”, afirma.
Incentivo à denúncia e trabalho preventivo
Os delegados também têm investido em ações de orientação e prevenção, como palestras em escolas e articulação com a rede de apoio e destaca ainda a importância de fortalecer o fluxo de atendimento às vítimas. “Realizamos um ciclo de palestras para orientar jovens sobre como identificar situações de violência, especialmente no ambiente doméstico e em relações afetivas. Estamos organizando, junto ao Conselho da Mulher e demais órgãos, uma rede integrada para garantir que cada caso receba o encaminhamento adequado”, diz Dra Géssica.
O Dr. Luís reforça o papel da população nesse processo. “A gente depende das denúncias. Muitas vezes a pessoa sofre violência repetidamente e não procura ajuda. Aqui, todo registro é levado a sério e gera procedimento. Isso faz diferença”, afirma.
Casos recentes mobilizam equipes
Apesar de um cenário considerado seguro, casos recentes exigiram mobilização intensa das equipes, especialmente na área de crimes contra a vida. “Tivemos um fim de semana com três ocorrências graves, incluindo um duplo homicídio com tentativa no bairro Bom Jesus e um caso de homicídio em Bateias. As equipes estão trabalhando intensamente nessas investigações”, relata a Dra. Gessica.
Sobre o caso do bairro Bom Jesus, a principal linha de investigação aponta para disputa relacionada ao tráfico de drogas. “A região tem características que favorecem esse tipo de atividade, como a topografia e a estrutura das vias. Já avançamos bastante na identificação de autoria”, afirma.
No caso de Bateias, a hipótese de morte por engano ainda é apurada. “A vítima não tinha histórico de envolvimento com crimes ou conflitos, o que reforça essa linha de investigação”, completa.
Além dos homicídios, também foram registrados casos recentes de tentativa de homicídio, com rápida atuação das equipes. “Tivemos uma tentativa de feminicídio e outro caso na Praça Getúlio Vargas. Em ambos, conseguimos agir rapidamente e efetuar prisões”, destaca o Dr. Luís.
Estrutura e novidade para a cidade
Em relação à estrutura, uma das principais novidades é a doação de um terreno para a construção da futura Delegacia Cidadã no município. “Esse projeto vai melhorar significativamente o atendimento à população. Ainda não há data para início das obras, mas estamos acompanhando e cobrando para que avance o quanto antes. Enquanto isso, melhorias já vêm sendo feitas na estrutura atual, pois estamos trabalhando para tornar o ambiente mais acolhedor para quem precisa do serviço”, acrescenta.
Compromisso com a cidade
Mesmo com pouco tempo de atuação, os três delegados destacam o acolhimento recebido e o compromisso em manter e aprimorar os índices de segurança. “Campo Largo é uma cidade organizada, estruturada e com um trabalho de segurança já consolidado. Nosso objetivo é manter esse nível e, se possível, tornar a cidade referência ainda maior”, afirma o Dr. Leandro.
A Dra. Gessica reforça o vínculo que começa a se formar com a comunidade. “É uma cidade que faz a gente trabalhar por vontade, por querer proteger e ajudar a população”, diz.
O Dr. Luís conclui na mesma linha: “Fomos muito bem recebidos e queremos entregar os melhores resultados possíveis, garantindo segurança e o cumprimento da lei para toda a comunidade”.
23/04/2026
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